terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cais da Ponta do Sol

CAIS DA PONTA DO SOL32° 40.679'N, 17° 6.258'W


“O Século XIX foi, em vários aspectos, marcante na vida social do concelho da Ponta de Sol…. Depois de várias tentativas de melhorar o desembarque, a Câmara Municipal, auxiliada pelo trabalho braçal que os cabeças de casal eram obrigados a dar, construiu um cais. O Cais do Fojo foi, assim, uma autêntica dádiva para a evolução da Costa de Baixo. Em todo o lado, mesmo até no Funchal, os viajantes desembarcavam às costas dos barqueiros. Muitos deles eram homens sem escrúpulos e até com falta de educação. Nalguns casos, deixavam-se escorregar de trambolhão por cima das pedras, quando a carga que traziam ao ombro era do sexo feminino. Muitas senhoras detestavam viajar de barco para qualquer parte, porque não existia lugar cómodo para o desembarque. A Ponta de Sol passou a ter um cais em 1849, com o seu arco rasgando a paisagem como se fosse a entrada de um castelo de um conto de fadas…“



Segundo o projecto do engenheiro Tibério August Blanc foi mandado construir o tão ansiado cais, no ano de 1848, por iniciativa da Câmara Municipal.
A obra, que se arrastou por vários anos, foi baptizada de Duque Maximiliano de Leuchtenberg, pois é de crer que numa visita à Ponta do Sol este nobre ofereceu certa quantia para as despesas de construção do referido cais. Hoje em dia é mais conhecido como Cais do Fojo.
É de notar nesta obra o amplo, impressionante e bem concebido arco construído em aparelho de pedra basáltica à vista.
No início do cais podemos observar a antiga prisão escavada na rocha, agora transformada em restaurante, e a casa da guarda que lhe fica em frente.



Como não é novidade para ninguém, antes da haver as estradas de ligação entre os principais núcleos de povoamento, no século XIX e parte do XX, o principal meio de comunicação entre as vilas e o Funchal, e mesmo entre algumas localidades, era por via marítima, através dos vapores, cujo embarque e desembarque dos quais era feitos pelas lanchas, – termo então na origem do apelido Lancha/Lanchas, para nomear as pessoas do Funchal ou tão somente dai provenientes, que desembarcavam nas lanchas. A Ponta de Sol era nesses tempos o mais importante concelho da “Costa de Baixo” capitalizando um significativo conjunto de infraestruturas e serviços administrativos, comerciais e culturais que abrangiam toda uma circunscrição geográfica sul que incluía boa parte da actual Ribeira Brava.


Além de ter servido para o embarque e desembarque de pessoas e mercadorias em segurança, funcionou como troço do caminho real de ligação ao Lugar de Baixo que se rasgou na rocha posteriormente. É notável que apesar da voracidades das intempéries invernais, o cais chegou até aos nossos dias tornando-se um símbolo do próprio concelho e uma marca visível e venerável da arte de bem construir, cumprindo princípios técnicos de firmeza e utilidade aliados ao seu belo enquadramento com a paisagem ao seu redor.





















PONTA DO SOL PIER

"The nineteenth century was, in many ways, remarkable in the social life of the Municipality of Ponta do Sol .... After several attempts to improve landing, the City Council, aided by the manual labor that the heads of family were forced to give, built a pier. Cais do Fojo was therefore a godsend for the evolution of the "Western Coast". Everywhere, even up in Funchal, travelers landed on the back of the boatmen. Many of them were unscrupulous men and even impolite. In some cases, they would let themselves slip over the rocks, when the load brought on their shoulders was female. Many ladies hated traveling by boat anywhere, because there was no convenient place for landing. Ponta do Sol started having a pier in 1849, with his bow ripping the landscape like the entrance of a fairy tale castle... "



The eagerly awaited pier was built according to the project engineer Tibérios August Blanc in the year 1848, by the initiative of the Municipality.
The work, which dragged on for several years, was baptized as Duke Maximilian of Leuchtenberg as it is believed that in a visit to Ponta do Sol this noble offered a certain amount for the cost of building this pier. Nowadays it is known as Cais do Fojo.
It is noted in this work the large, impressive and well-designed arch built with basaltic rock in sight. 
At the beginning of the pier we can observe the old prison carved into the rock, now converted into a restaurant, and the guardhouse that lies ahead.



As it is not news to anyone, before having the roads linking the major population centers, in the nineteenth and the twentieth centuries, the primary means of communication between the villages and Funchal, and even among some localities, was by sea through the vapors, whose embarkation and disembarkation was made ​​by "lanchas" (motor boats) - the term is then at the origin of the nickname "lanchas", to appoint people of Funchal or solely derived therefrom, which landed in "lanchas". Ponta do Sol was at this time the most important county of the "Western Coast" capitalizing on a significant set of infrastructures and administrative, commercial and cultural  services, covering an entire geographic south disctrict which included much of the current Ribeira Brava.

Apart from having served for the embarkation and disembarkation of passengers and goods safely, it worked as a section of the royal road connecting to Lugar de Baixo, that was later drilled on the rock. It is remarkable that despite the voracidades of wintry weather, the pier is still there becaming a symbol of the county itself and a visible and venerable mark of the art of building properly, fulfilling technical principles of firmness and utility allied to its beautiful environment with the landscape around it.

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